O consumo das famílias brasileiras subiu 3,28% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em relação a junho, o indicador avançou 3,01%. Os dados consideram todos os formatos de supermercados e são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No acumulado de janeiro a julho, o consumo nos lares avançou 2,67%, praticamente em linha com a alta de 2,66% registrada em igual período do ano anterior.
O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, afirmou que o consumo neste ano começou em ritmo mais moderado, ganhou força entre março e maio, desacelerou em junho e voltou a acelerar em julho. Segundo ele, o mês reuniu condições mais favoráveis ao consumo das famílias.
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De acordo com a entidade, o avanço ocorreu em um ambiente de menor pressão dos alimentos. No IPCA, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67% em julho, enquanto a alimentação no domicílio caiu 1,14%.
A Abras também relaciona o desempenho à entrada de recursos extraordinários na economia ao longo do mês. O pagamento do abono salarial PIS/Pasep movimentou cerca de R$ 5,4 bilhões, o Bolsa Família transferiu aproximadamente R$ 13 bilhões e R$ 16 bilhões em restituições do Imposto de Renda, pagos no fim de junho, ficaram disponíveis para consumo no início de julho.
Dados da NielsenIQ mostraram mudança na composição das compras. A participação dos produtos de maior preço passou de 12,5% em julho de 2025 para 13,4% em julho deste ano. Os itens de menor preço avançaram de 54,6% para 55,3%, enquanto a faixa intermediária recuou de 32,9% para 31,3%.
Segundo Milan, o movimento indica uma cesta mais seletiva. Entre os produtos de preço mais elevado, os maiores avanços de participação ocorreram em mercearia e perecíveis industrializados, ambos com ganho de 2,8 pontos porcentuais.
O AbrasMercado, indicador que acompanha uma cesta de 35 produtos de largo consumo, caiu 1,24% em julho ante junho, com o valor médio passando de R$ 852,54 para R$ 841,95. No acumulado do ano, porém, os preços ainda sobem 5,20%. Entre os itens básicos, recuaram açúcar refinado (-3,41%), café torrado e moído (-2,45%) e feijão (-2,17%), enquanto o leite longa vida avançou 2,47%. Na cesta de 12 produtos básicos, o valor médio nacional caiu 0,27% no mês, para R$ 356,43, mas acumula alta de 4,71% entre janeiro e julho.
Fonte: Estadão Conteúdo
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